Companhia brasiliense faz releitura de Psicose, clássico de Hitchcock. Público é convidado a vivenciar e acompanhar o elenco pelos cômodos do Hostel 7 na peça imersiva da companhia Novos Candangos

Eles são de Brasília, inspiram e respiram arte. Uma arte que visa ocupar espaços não convencionais da capital federal e que convida o público para refletir e ter uma experiência peculiar, com um preço que cabe no bolso. A companhia brasiliense Novos Candangos homenageia o eterno diretor Alfred Hitchcock (1899-1980) com um espetáculo baseado em um dos seus mais inesquecíveis filmes: Psicose.

O cineasta britânico, conhecido como o mestre do suspense, sairá das telonas para um palco inusitado: uma hospedaria de verdade. Após o encerramento do Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, os artistas locais resolveram manter o teatro vivo e pulsante na capital. Eles estão em cartaz com o espetáculo Os Beatniks em Psicose, no Hostel 7 (SCLRN 708). Até o dia 1º de outubro, sempre aos sábados e domingos, às 20h, quem passar pelo local vai poder conferir a peça de 1h20 de duração inspirada em Psicose, clássico do autor norte-americano Robert Bloch que foi eternizado nas telonas por Alfred Hitchcock, em 1960.

Nas mãos do diretor Diego de Leon (34), a obra tomará uma nova forma no teatro. A montagem imersiva, que faz jus ao horror, será representada por atores brasilienses, que vão reviver cenas que viraram ícones do cinema. A exemplo, o famoso assassinato no chuveiro. A montagem mostra os bastidores de um filme estrelado pelo fictício grupo teatral Os Beatniks. “Os Beatniks tem uma viés experimental. Tanto que escolhemos um hostel onde a plateia e os próprios hóspedes vão poder, ou não, assistir ao espetáculo e ainda se sentir à vontade para andar e beber. E como é a tentativa de um grupo de teatro fazer um filme, nada melhor que filmar numa hospedaria de verdade da cidade”, destaca o diretor e ator Diego de Leon.

Set de filmagem

No meio de um motel, um diretor dirige quatro atores que rodam o filme Psicose. O motel aqui é definido com o seu conceito primordial nos Estados Unidos. Um ambiente por onde as pessoas passam para se hospedar ou apenas dormir por uma noite. O hostel representa exatamente este cenário que, junto com os objetos cênicos e arquétipos dos personagens, dão o tom ao suspense “ácido-pop-chapolinesco” do espetáculo. A definição é do próprio diretor Diego de Leon que, na peça, também dirige seus atores na pele de Fred, um obcecado e alucinado cineasta. Ele corrige e interrompe o elenco quando eles erram, exageram ou saem do tom que almeja.

O roteiro, além de fazer uma alusão ao set de filmagem do filme Psicose, abusa e usa da música pop e contextualiza-se ao século 21. O clima ácido se junta ainda com a liberdade do público de se levantar, sair, entrar de novo para assistir e ainda poder comprar bebidas no Hostel 7.

Conheça a trama

Baseada em Psicose, a montagem metalinguística e experimental mostra uma versão dos bastidores da filmagem do longa homônimo. Marion Crane, personagem que no livro original é chamada Mary, é interpretada pela atriz brasiliense Tati Ramos. Na peça, ela é chamada de Mary ou Marion. O intuito é o de fazer uma referência à ambas as obras (cinema e literatura). Laila (Luana Proença), a irmã de Marion, é outra personagem que entra na história. Paralelamente, Norman Bates é vivido pelo ator Ivan Zanon. Ele é o dono do motel, um rapaz que sofre assédios de sua mãe, uma senhora conservadora e autoritária. Há ainda Sam (Rafael Toscano), o namorado da famosa Marion. O jogo de xadrez está traçado. Nesta encenação metalinguística, os atores e o diretor vão encaminhar o público para outros cenários – outros tabuleiros – como o terraço do Hostel 7, ponto crucial para a trama. Assassinatos e personagens fortes costuram a peça.

Os Beatniks

A geração beat, ou movimento beat, refere-se a um grupo de norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que tornou-se conhecido no começo da década de 50 e perpetuou-se pelos anos 60. Eram artistas que levavam uma vida nômade, anti-materialista e foram embriões do movimento hippie. Também eram chamados de beatniks, nome muitas vezes contestado. A companhia fictícia Os Beatniks, no entanto, adotou esta nomenclatura com o intuito de mostrar e assumir a massificação do movimento beat.

Os Beatniks em Psicose é um espetáculo independente realizado com investimento dos próprios artistas. Trata-se do quarto espetáculo do grupo Novos Candangos, que existe desde 2012. É o segundo trabalho que traz os personagens da companhia Os Beatniks. A primeira montagem que o grupo apareceu foi Os Beatniks em A Gaivota.

Serviço

Os Beatniks em Psicose
De 9 de setembro a 1º de outubro
Aos sábados e domingos, às 20h
Local: Hostel 7 (SCLRN 708, Bloco I Loja 20)
Ingressos: R$ 20 (meia) e R$40 (inteira)
Informações: 3033-7707
Não recomendado para os menores de 18 anos

Ficha técnica

Realização: Novos Candangos
Dramaturgia e Direção: Diego de León
Assistente de Direção: Guilherme Angelim
Elenco: Diego de León, Ivan Zanon, Luana Proença, Rafael Toscano e Tati Ramos
Equipe de Criação: Novos Candangos, Ivan Zanon e Leonardo Shamah
Iluminação: Marcelo Augusto Santana
Produção: Guilherme Angelim e Paula Rios
Foto: Thiago Sabino
Arte Gráfica: Ramon Lima
Parceria: Hostel7
Apoio: Estúdio Carbono e IESB
Assessoria de imprensa: Baú Comunicação Integrada