Maior festival de mulheres negras da América Latina segue com as comemorações de 10 anos com desfiles, feira, shows e atividades formativas entre os dias 24 e 27 de novembro

O Festival de Latinidades está de volta. Neste mês, entre os dias 24 e 27 de novembro, Brasília ganha uma nova edição do Latinidades, ainda como parte das comemorações dos 10 anos do maior festival de mulheres negras da América Latina. Com uma programação especial para marcar a primeira década de vida do projeto que se dedica a valorizar a cultura e a memória de mulheres negras, o Latinidades – Festival da Mulher Afro Latina Americana e Caribenha se soma à programação do DF de ações que vão celebrar o Mês da Consciência Negra com uma série de atividades.

Ao longo dos últimos anos, mais de 200 mil pessoas passaram pelo Latinidades e cerca de 100 artistas, entre nomes nacionais e internacionais se apresentaram. Seu diferencial, além da quantidade de estados e países envolvidos, diz respeito tanto ao seu caráter cultural quanto ao formativo.

Desde 2008 o festival vem fortalecendo conexões internacionais e já contou com a participação de nomes como Angela Davis, Patricia Hill Collins, Paulina Chiziane (Moçambique), Sueli Carneiro, Jurema Werneck, Elza Soares, Ellen Oléria, entre muitas outras mulheres negras de todas as áreas.

Desta vez, de forma descentralizada para ampliar o público contemplado, o Festival terá atividades formativas na unidade de internação de Santa Maria, no Mercado Sul (Taguatinga) e no Centro de Ensino Fundamental 4 de Taguatinga, além de desfiles e shows gratuitos no Estádio Nacional Mané Garrincha. Entre os convidados desta edição está Sandra Izsadore, a principal mentora intelectual de Fela Kuti, multi-instrumentista nigeriano criador do afrobeat, e show da banda instrumental IFÁ, grupo que vem ressignificando o cenário musical baiano.

Outra novidade será a parceria do Festival com o projeto “Conexões Urbanas – Impressões Femininas Sobre a Cultura Urbana”. Ambos os eventos vão dividir espaço, no Estádio Nacional, com apresentações paralelas, reforçando a importância de se atuar em conjunto em torno da valorização da cultura negra. O Conexões vai começar a partir das 20h, enquanto o Latinidades está marcado para às 22h.

E tem muito mais vindo por aí! Depois de arrasar em Brasília durante a edição de julho do Latinidades, o estilista moçambicano Pinto Música retorna à Brasília dentro da programação da 8ª edição do Desfile Beleza Negra, evento idealizado por Dai Schmidt, que também fará parte das atividades do Latinidades. O desfile está marcado para o dia 24 de novembro, a partir das 19h, no Estádio Nacional Mané Garrincha.

A parceria entre o Festival Latinidades e a Black Fashion Model promove o intercâmbio entre profissionais da moda de Brasília e do continente africano. O evento conta com a participação de mais de 40 modelos, entre adultos e crianças, que desfilarão as coleções de diversos estilistas e marcas. A cantora moçambicana Madina Givralgy Vaz, mais conhecida por Zav, é a atração convidada para embalar o desfile do estilista.

Veja a programação completa

24 de Novembro (Sexta-feira)
10h – Atividade Formativa, debate: Cultura Negra e Arte Urbana
Local: Unidade de Internação Santa Maria (UISM)
15h – Atividade Formativa: Cultura Negra e Arte Urbana
Local: Unidade de Internação Santa Maria (UISM)

19h – Abertura da Feira Latinidades – Estádio Nacional
20h – Início Conexões Urbanas – Estádio Nacional

22h – Shows Latinidades
Local: Areninha – Estádio Nacional Mané Garrincha
Classificação: 16 anos
Das 22h às 4h da manhã. Entrada gratuita.

Desfiles de Pinto Música (Moçambique) e Afrikanus (DF)
Rebeca Realeza – DF
Rosa Luz – DF
Preta Rara – SP
Ifá Afrobeat – BA
Sandra Izsadore – EUA
ZAV – Moçambique
Pinturas Corporais durante o evento com Mara Santtana – SP
Feira Latinidades durante todo o evento

25 de Novembro (Sábado)
14h – Atividades Formativas: Encontro de Negras Jovens Feministas do Centro-Oeste
Cine Clube
Rodas de Conversa
Local: Mercado Sul – Taguatinga

27 de Novembro (Segunda-feira)
14h – Atividade Formativa: Histórias Afrocentradas com Jonathan Dutra
Local: Escola Taguatinga – Centro Ensino Fundamental 04

Saiba mais sobre as convidadas desta edição

Sandra Izsadore

Cantora, compositora, atriz e ativista, Sandra Izsadore foi filiada aos Panteras Negras no início da década de 70, quando conheceu Fela Kuti, considerado um gênio da música, com quem dividiu inúmeras ideias sobre consciência política e racial, construções que resultaram em uma drástica mudança na vida de Fela. Nascida em Los Angeles, Sandra conheceu a música ainda pequena, quando começou a cantar na igreja e a fazer aulas de piano. Chamada carinhosamente de “Rainha Mãe do Afrobeat”, Sandra segue fiel à sua causa inata de humanitarismo e viaja o usando sua música e sua história para lutar pela paz mundial, justiça e igualdade para todos.

Preta Rara

Joyce Fernandes, conhecida como Preta-Rara, é rapper, turbanista, professora de história, modelo Plus Size e influenciadora digital. Sua trajetória é marcada pela atuação e militância em movimentos negros, feministas e contra as intolerâncias. Nascida em Santos, no litoral de São Paulo, Preta-Rara começou a fazer rima aos 12 anos de idade.

O interesse pela música surgiu por influência do pai, que era colecionador de discos. Na adolescência, a rapper cantava na igreja, junto com a família. Mais tarde, já com 20 anos, ela montou um grupo de rap, e em 2013 a artista resolveu seguir carreira solo. Preta-Rara também é responsável pela hashtag #EuEmpregadaDoméstica, lançada no dia 20 de julho de 2016, que abriu um novo espaço para o diálogo sobre as condições das empregadas domésticas no Brasil. Antes de tornar-se professora de história, Preta trabalhou em casas de família durante sete anos.

IFÁ
Nascida em Salvador no ano de 2013, a banda instrumental IFÁ, cujo nome representa o oráculo africano e a sigla para junção inventiva entre Ijexá, funk e afrobeat, integra um movimento independente quem vem ressignificando o cenário musical baiano. Com os ouvidos no mundo, o grupo apresenta no seu show um repertório autoral inspirado na diversidade musical de matriz africana e suas conexões com a Bahia contemporânea. Navegando pelas rotas sonoras do Atlântico Negro, mergulhando no universo do afrobeat, dub, reggae, funk e no ritmo do ijexá, dos blocos afro e afoxés da Bahia, a IFÁ ratifica a importância da música como elo histórico entre as culturas negras da diáspora, fazendo do seu discurso um manifesto de afirmação e estética.

Rebeca Realleza
Brasiliense, Rebeca Elen Santos Silva, iniciou seu caminho na música dentro da igreja, no ano de 2006. Três anos depois, fez parte do projeto “Colisão de Ideias” que ocorria nas escolas públicas da Ceilândia, onde teve sua primeira oportunidade de cantar rap. No ano de 2011, Rebeca formou seu primeiro grupo de RAP gospel (Resgatados das Cinzas) onde começou a desenvolver suas primeiras composições. Atualmente a artista desenvolve seu trabalho solo com músicas que abordam o empoderamento feminino e negro, a dança e os elementos do hip-hop.

Mara Santtana
Mbhali, 23 anos, artista favelada grafiteira arte educadora e pesquisadora de povos e culturas africanas. OriKilombo surge de pesquisas das pinturas tribais africanas com o intuito de resgatar essa arte milenar dos nossos ancestrais que vêm sendo apagadas. Em seus trabalhos, a artissta faz referências a Orixás e prioriza o uso de tinturas brancas que foram produzidas de forma orgânica e/ou artesanal.

Rosa Luz
Rosa Luz é rapper e tem um canal chamado Barraco da Rosa. Sua arte envolve a descolonização das nossas identidades negras, trans e periféricas. Em novembro, lança seu primeiro EP, intitulado “Rosa Maria Codinome Rosa Luz”.

Serviço

Latinidades
De 24 a 27 de novembro, em Santa Maria, Taguatinga e Estádio Nacional Mané Garrincha.
Os shows e os desfiles vão acontecer no dia 24 de setembro, na Areninha (Estádio Nacional Mané Garrincha), a partir das 22h. Toda a programação é gratuita.
Mais informações: http://www.afrolatinas.com.br/